terça-feira, 27 de maio de 2008

Curtas

As cinco marchas da irritação:

1 - Sorriso, disfarça. "Ah, tudo bem. Depois a gente ri da situação".
2 - Aperta os lábios (a là O Diabo Veste Prada). Faz cara de quem não gostou. Ensaia um olhar assassino. A voz sobe.
3 - A conversa vira gritaria (e ai do ser que falar para não levantar a voz). Os olhos começam a faiscar. O olhar de assassino não é mais um teatro.
4 - Os palavrões começam a sair sem controle. Quem está por perto começa a olhar. O olhar homicida começa a surtir efeito em algumas pessoas. Os olhos começam a marejar. Uma dose de gin já se faz necessária.
5 - Os palavrões e xingamentos são destinados a qualquer ser que faça sombra, num raio de quinhentos metros, sem distinções. Coisas quebram. Machucados leves. As lágrimas já escorrem. No mínimo 3 doses de gin e um rivotril se fazem necessários.

Ainda bem que ainda não chegamos à sexta marcha.

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They tried to make me go to the squad, and I said, "No, no, no"
Yes, I've been in bed, but when I go awake you'll know, know, know
I ain't got the time and if the jerks think I'm fine
They tried to make me go to the yard, and I said, "No, no, no"

I said: "Caralho! Vão se fuder seu bando de putos de merda!"

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É incrível como que, no meio de 10 mil pessoas, a gente ache justamente aquela pessoa que nós nunca mais queríamos ver na vida, enquanto que, quem procuramos desesperadamente, só aparece em nossos devaneios. Daí fingimos que não vemos até quando der, e quando um "olá" for inevitável, nós abrimos um sorriso amarelo e esbanjamos cinismo.

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A mesma situação acima, mas trocando os pontos de vista.

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VIZINHO: Oi vizinha. Tudo bem?
VIZINHA: Olá vizinho! Tudo! Quer um gole?
VIZINHO: Que é isso? Parece perfume.
VIZINHA: É gin. É perfumado assim mesmo. É a pior bebida para a fígado.
VIZINHA entorna a garrafa de gin na boca, sorvendo generosos goles, enquanto VIZINHO faz uma cara mostrando um misto de susto e admiração.
VIZINHA: Mas não se preocupe. Fígado se regenera.

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Fazia tanto tempo que eu não me sentia relaxada daquela maneira. Depois de quase duas semanas dormindo apenas duas horas por dia, eu estava conseguindo acordar da minha terceira hora de sono daquele dia. Um luxo.

Mas não era isso que me deixava feliz daquela maneira... era um som, o som de alguém tocando suavemente um violão, cantando baixinho alguma canção. Eu podia ficar ali eternamente, enquanto a lembrança de um outro violão, de uma outra voz, passava pela minha cabeça... e no fundo dos olhos eu ainda podia enxergar a figura amada do menino-homem.

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Agora eu sei: o próximo será fatal. Não vou agüentar um quarto. Me sinto fraca. Sinto o peito pesado, falta de ar, falta de fôlego, falta de vontade de continuar, de tentar. E não me venham com pneumologistas e seus diagnósticos frios. Prefiro morrer em paz.

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A grama (e a cerveja, a festa, a música, a galera, a comida, a vibe) do alojas vizinho é sempre mais verde.

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O que eu mais quero nesse momento? Desconstruir uma pessoa.

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Ele desconstruiu a amizade. Como se fosse a coisa mais fácil desse mundo. Precisou menos de 5 minutos. Fácil. Rápido. Indolor. Apenas não sabia que não era indolor apenas para ele.

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Constatação interessante: em certos habitats, uma camiseta dos Beatles chama mais atenção do que um decote. Mas não quase tanto quanto um chapéu.

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Dicas de programação para domingo a tarde:
Vagueie a esmo por uma pequena cidade do interior. Fazer supermercado é um boa pedida. Se, por um acaso, na frente do supermercado houver um cemitério, entre e conheça-o. Procurar lápides de suicidas ou de pessoas que morreram no mesmo dia do aniversário pode se mostrar um bom passatempo enquanto se espera para sua aguardada e desesperadamente desejada volta ao monóxido de carbono. Mas evite passar pela seção das crianças. Efeitos colaterais e mentais podem ser causados.

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Cadaumnoseuquadrado
Cadaumna suabolha
Cadaum na suavida
Cada um na sua...

sábado, 17 de maio de 2008

Me pinta de Acaju-Chocolate 49 que eu estou branca!

Foi horrível. Uma das piores experiências do mundo.

Me olho no espelho, com a cara recém lavada, sem maquiagem, sem nada. Apenas as olheiras profundas que já se tornaram uma marca registrada, as marcas de expressão na testa, os poros dilatados, os cravos e espinhas. Tudo bem. Tudo como sempre foi. Até que que uma olhada de relance me assusta. Just a glimpse, just that... Olho de novo. Continua lá. Brilhando. Timidamente, meio fosco, mas lá.

Uma coisa... BRANCA!

Solto um gritinho de horror ao constatar o que eu queria que fosse apenas reflexo da luz do banheiro: UM FIO DE CABELO BRANCO! Como pode? Tenho apenas 20 anos! E lembro que já existe anti-rugas para os sobreviventes de vinte verões com pouco protetor solar.

Arranco aquilo da minha cabeça o mais rápido possível, como se fosse uma erva daninha que pudesse se espalhar pelo meu escasso couro cabeludo. Está lá, a prova: um fio fino e liso, de mais ou menos 5 centímetros, dos quais três são de um vermelho-achocolatado e o outros dois de um branco pálido, puxando um pouco para a cinza.

É stress, eu penso. Deve ser a SiEM, as duas faculdades, a mudança da casa, a vida nômade...
É o stress, fala minha mãe, meio descrente. É essa SiEM.

Será que eu fico bem grisalha?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Minhas quartas-feiras...

Ando reclamando da minha falta de tempo para escrever por aqui. Agora são exatamente 20h00, 14/05/2008. E acabo de descobrir uma coisa: tenho um vácuo - obrigatório - de atividade entre 18h50 e 21h25 nas quartas-feiras.

No momento escrevo do laboratório 08 no subsolo da minha amada Pontifícia. Aula de Introdução ao Jornalismo. A coisa mais chata e massante da face da terra - incluindo os almoços de família de domingo. O professor repete toda hora a mesma coisa - no momento, uma explicação sobre lide, título e linha fina - ZzZzZzZzZ. Qualquer idiota que lê jornal todo dia tem noção disso... ok, tem uns cabeções na Folha e no Estadão que ainda não aprenderam isso...

Para passar o tempo leio e-mails, abro sites de fofocas e notícias, recorro ao Google Talk. Sttil, sooooooooooo fuckin´ boring. (like this shity post). Chamo essa aula de aula-da-fofoca (e agora, para procurar algo interessante para escrever no blog). O nome que dou pra minha próxima aula também é muito explicativo: bar (ou Novas Tecnologias da Comunicação). Estou tentando virar uma verdadeira jornalista: pobre, poeta, fudida e boêmia.

Credo parece que essa aula suga a minha criatividade... Cadê minha faquinha de plástico?

Para ouvir lendo - ou ler ouvindo: Expectations de Belle & Sebastian.