Numa noite dessas estava eu andando pela rua, voltando pra minha casa depois da balada. Não sei porquê resolvi fazer o percurso inteiro fitando o chão. Pedras, cascalhos... Paro. Volto. Não acreditava nos meus olhos. Tive de agachar e verificar mais de perto. Mas era aquilo mesmo: um tatu-bola, andando pela calçada, às 5 horas da manhã, no sul de Copenhague.
Peguei-o.
Desde quando não vejo um tatu-bola? Depois de um tempo, tive para mim que tatus-bolas são criaturas mágicas apenas visíveis para crianças. Vai ver a Dinamarca é mágica. Ou então eu voltei a ser criança. (Segundo os meus amigos eu devia ter cheirado para poder ter visto um tatu-bola por aqui, mas não foi esse o caso, já que nem bêbada eu estava porque havia perdido meu dinheiro). Fiquei brincando com o bichinho na minha mão até chegar em casa. Deveria ter guardado-o como prova da minha sanidade.
Passei os dias seguintes encantada com minha descoberta... mas depois de um tempo percebi que não encontrava-os mais. Então numa tarde decidi refazer meus passos: desde o metrô até minha casa fiquei apenas olhando para a calçada. Mas encontrei apenas um cemitério de tatus-bolas: todos imóveis e sem vida.
Me senti péssima. Como se na minha vida sempre houvesse existido pequenas coisas, mas que eram descomunalmente especiais e caras quando eu era pequena, e que com o passar do tempo deixaram de ser memoráveis e acabei por parar de notá-las. Tenho medo de descobrir que essas coisas ainda me são caras e especiais, mas se eu as procurar, não vou mais achá-las, apenas sombras do que foram. Tenho medo de voltar e não encontra mais os tatus-bolas que eu deixei para trás, seja por minha omissão, seja por sua escolha, seja pela tola casualidade do destino.
PS: Não sei se o certo é tatus-bola, tatu-bolas ou tatus-bolas, então optei pelo último simplesmente por tentar agradar as duas primeiras opções.
domingo, 17 de agosto de 2008
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