domingo, 26 de outubro de 2008

Cabin Trip - um fim de semana entre as estrelas e as decepções.

Mesmo com toda a fama,
Com toda a brahma
Com toda a cama,
Com toda a lama
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama

Mesmo com todo o emblema,
Todo o problema
Todo o sistema,
Todo Ipanema
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa gema

Mesmo com o nada feito,
Com a sala escura
Com um nó no peito,
Com a cara dura
Não tem mais jeito,
A gente não tem cura

Mesmo com o todavia,
Com todo dia
Com todo ia,
Todo não ia
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa guia

Mesmo com todo rock,
Com todo pop
Com todo estoque,
Com todo Ibope
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando esse toque

Mesmo com toda sanha,
Toda façanha
Toda picanha,
Toda campanha
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa manha

Mesmo com toda estima,
Com toda esgrima
Com todo clima,
Com tudo em cima
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa rima

Mesmo com toda cédula,
Com toda célula
Com toda súmula,
Com toda sílaba
A gente vai levando,
A gente vai tocando,
A gente vai tomando
A gente vai dourando essa pílula.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Voltas

Voltei.
Mas queria ficar.
Vou.
Mas querendo não ir.
Estou.
Mas não sei em que direção virar.
Fui.
Mas acabei me perdendo no meio do caminho.

Dando voltas e voltas, vi teu reflexo nas vitrines, ouvi tua voz nas esquinas.
Desejando não mais ouvir-te nem ver-te.
Mas o mundo já deu meia volta.
Fui.
Estou.
Vou.
Voltei.
Mas continuo a dar voltas em mim mesma.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O Vietnamita de Viena

Me apaixonei. Não sei se de verdade. Mas o fato é que ele me conquistou com seu jeito tímido, seu sorriso sem riso, seus olhos quando fecham, seu jeito doce e desajeitado, as roupas um tanto largas, o cabelo tão macio e bagunçado, seu abraço carinhoso e seu beijo taciturno; pelo fato de ele estar bêbado 90% do tempo em que o vejo - e nesse tempo, ele fala o que lhe vem na cabeça de maneira tão lacônica, despreocupada e doce, mesmo que seja para falar a verdade crua (mas não cruel) de que não temos nada, e que aquilo foi só um beijo de duas pessoas felizes numa festa -; da maneira como ele ficou enciumado quando me viu com outro cara; como aproxima seu rosto perigosamente do meu quando conversamos/discutimos - nossos narizes chegam a se encostar e eu consigo por vezes sentir o gosto dele novamente -; e claro a maneira como ele brinca comigo, rouba meu gorro, me faz correr atrás dele, brava, porém encantada e feliz por fazer as outras garotas me olharem com ódio e inveja - pois ele é meu mais grandioso troféu! E fazia tanto tempo que eu não sentia ciúmes de alguém... ele está sempre rodeado de pessoas: é alegre e engraçado, cheio de amigos e meninas que grudam nele. E ele não liga... parece uma criança que se diverte com tudo ao seu redor. Eu sei o quão cliché é falar que ele é especial e diferente de todos os outros que eu já conheci, mas de certa forma é verdade. Se ele pode ser considerado um cafajeste - o que eu não acho que seja o caso -, o é de forma romântica e descomprometida. De alguma forma ele também tem um ar de nerd... da mesma maneira que é um alcoólatra incurável, ele é também um nerd incurável. Poucos por aqui sabem, mas por trás de toda essa boemia, há um rato de biblioteca, que leva a sério seus estudos. E de uma certa maneira, ele me parece um músico, ou poeta romântico e auto-destrutivo, que vive a vida sem se importar com o amanhã e o ontem. O que realmente importa, é ter um copo na mão e um motivo para ter um sorriso nos lábios.