Não tenho tempo, apesar de gastá-lo de maneira despreocupada.
A falta de luz me faz sentir fraca, sem energia ou inspirações.
Após um tempo, ficou difícil continuar me enganando.
O alcóolismo intrínsico, a nerdice implícita.
O cabelo loiro, macio, brilhante.
Olhos de um azul pálido.
O sorriso sem riso.
Me apaixonei.
De verdade?
Não sei.
Mas o desejo.
As folhas caíram.
Já há neve no pátio.
Começo a me retomar.
Mas ainda há um pouco de fé.
Ainda que iluminada com parca luz.
Será que eu sou apenas alguém do passado?
domingo, 23 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Fé
Não sei porquê aquele lugar mexe comigo. Só sei que mexe.
Vai contra tudo que eu sempre (ou quase sempre) sustentei. Há quanto tempo não acredito? Acho que nunca acreditei, mas só fui perceber isso quando me colocaram na linha de tiro, e vi que não havia nenhum muro para me apoiar. Os muros já foram derrubados. Os poucos que restam são alvos que ódio e desesperança.
Talvez seja por isso. Nunca tive algo no qual eu pudesse me agarrar. Nunca me senti confortável. Lugares lotados. Multidões em um coro silencioso. Toda a hipocrisia resumida em dois milênios e duas mil páginas.
Mas naquele lugar isso tudo não importava. Todo o ódio e remorso que eu sentia por aqueles símbolos, signos, ícones, representações, ilusões... nada daquilo era relevante. Pois havia algo mais. Algo que nunca senti em nenhum outro lugar. Talvez seja o que algumas pessoas chamam de sagrado. Eu prefiro não nomear.
Pode ter sido a fumaça, as gravuras desbotadas, as palavras e letras já mortas... mas eu senti que eu pertencia àquele lugar - algo muito raro de ocorrer.
Acendi uma vela. Sem pensar, lembrei de uma pessoa e pedi por ela.
Hoje sonhei com ela, e com a mesma vela que há tempos eu havia acendido.
Ela falou sobre fé. Não com palavras, visto que é muda quando se trata de pronunciar a verdade. Mas com seus olhos sempre descrentes, iluminados pela chama.
Vai contra tudo que eu sempre (ou quase sempre) sustentei. Há quanto tempo não acredito? Acho que nunca acreditei, mas só fui perceber isso quando me colocaram na linha de tiro, e vi que não havia nenhum muro para me apoiar. Os muros já foram derrubados. Os poucos que restam são alvos que ódio e desesperança.
Talvez seja por isso. Nunca tive algo no qual eu pudesse me agarrar. Nunca me senti confortável. Lugares lotados. Multidões em um coro silencioso. Toda a hipocrisia resumida em dois milênios e duas mil páginas.
Mas naquele lugar isso tudo não importava. Todo o ódio e remorso que eu sentia por aqueles símbolos, signos, ícones, representações, ilusões... nada daquilo era relevante. Pois havia algo mais. Algo que nunca senti em nenhum outro lugar. Talvez seja o que algumas pessoas chamam de sagrado. Eu prefiro não nomear.
Pode ter sido a fumaça, as gravuras desbotadas, as palavras e letras já mortas... mas eu senti que eu pertencia àquele lugar - algo muito raro de ocorrer.
Acendi uma vela. Sem pensar, lembrei de uma pessoa e pedi por ela.
Hoje sonhei com ela, e com a mesma vela que há tempos eu havia acendido.
Ela falou sobre fé. Não com palavras, visto que é muda quando se trata de pronunciar a verdade. Mas com seus olhos sempre descrentes, iluminados pela chama.
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