“Os caçadores de mulheres podem facilmente ser divididos em duas categorias. Uns procuram em todas elas sua própria idéia da mulher, como lhes aparece em sonho, subjetiva e sempre a mesma. Outros são levados pelo desejo de tomar posse da infinita diversidade do mundo feminino objetivo.
A obsessão dos primeiros é um obsessão lírica, procuram a si próprios nas mulheres, procuram por seu ideal e são sempre e continuamente frustrados, porque, como sabemos é impossível encontar o que é ideal. Como a frustração que os leva de mulher em mulher dá a inconstância deles uma espécie de desculpa melodramática, muitas mulheres sentimentais acham comovente essa poligamia convicta.
A outra obsessão é uma obsessão épica, e as mulheres não vêem nisso nada de comovente: como o homem não projeta nelas um ideal subjetivo, tudo lhe interessa e nada pode decepcioná-lo. Essa incapacidade para a decepção tem qualquer coisa de escandoloso. Aos olhos do mundo, a obsessão do épico não pode ser perdoada ( porque não é resgatada pela decepção).
Como o sedutor lírico persegue o mesmo tipo de mulher, nem notamos que mudou de amantes; seus amigos estão sempre provocando mal-entendidos, pois não percebem a troca de companheiras e chamam todas pelo mesmo nome.
Na sua caça a novos conhecimentos, os sedutores épicos se distanciam cada vez mais da beleza feminina convencional e acabam tornando-se colecionadores de curiosidades. Eles sabem disso, sentem um pouco de vergonha e, para não constranger os amigos, evitam aparecer em público com as amantes.”
A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera.
Parece fácil, não? Mas quando essa aparente leveza que nos cerca começa a curvar nossas costas e percebemos que não é apenas 30 dias de chuva que nos fazem encolhermos e nos recolhermos à proteção de nossos próprios sonhos e davaneios percebemos que perseguimos uma situação insustentável. Qual é então a solução?
“Eles iam e vinham, improvisando passos de dança ao som do piano e do violino; (…) colocou a cabeça no ombro dele. Como no avião que os transportava através da neblina. Sentia agora a mesma estranha felicidade, a mesma tristeza estranha de então. Essa tristeza significava: estamos na última parada. Essa felicidade significava: estamos juntos. A tristeza era a forma e a felicidade, o conteúdo. A felicidade preenchia o espaço da tristeza.”
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
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