1:18 am, sábado-domingo, 24 fevereiro de 2008.
Isso nunca tinha ocorrido antes. Dirigir a 40 km/h e não furar nenhum sinal vermelho depois das 22h simplesmente não era de seu feitio. Algo estava errado. Não sabia o quê. Uma sensação ruim dentro do peito, como uma premonição de uma maldição, vinha de si. Chorava e tremia feito uma criança com medo de uma tempestade. Mas não sabia por quê.
Imagens não paravam de surgir no fundo de seus olhos, algumas familiares, outras recentes e várias desconhecidas. Todas distorcidas, embaçadas, embaralhadas, misturadas, desconexas. Carros, vozes, acordes, sinetas, olhares... e tudo a deixava menor e mais assustada. Como podia disfarçar? Não podia. Então era mais fácil culpar o medo comum e ordinário dos paulistanos.
Tudo era cada vez mais caótico e aterrorizante. Sua cabeça girava e seu corpo parecia prestes a desabar. Ninguém para ampará-la, e também não seria ela que pediria que alguém o fizesse. Sua espontaneidade havia se dissipado assim como qualquer força que tinha para pedir socorro. Será que ninguém conseguia entender o que se passava? Não. Nem ela conseguia. Mas iria enfrentar aquilo sozinha. Já o tinha feito antes, por que não conseguiria agora? O porquê, não sabia, mas ficou claro que só não ia conseguir. Precisava de alguma muleta, algum apoio, qualquer apoio. Precisava de um abraço. Mas ela nunca pediu um abraço. E assim seria até a sua morte. Nunca ela iria mostrar sua maior fraqueza. Um apoio estava bom.
Mas não era o suficiente. Agüentou até quando pôde. Mas antecipou as águas de março. E por isso, nunca se odiou tanto quanto naquele momento. Era íntimo e pessoal demais para ser visto, Queria algo, mas não queria a pena deles nem de ninguém. A vergonha somou-se ao restante da bola de neve já em movimento. Estava prestes a explodir.
Falar. Era disso que ela precisava. Qualquer coisa, qualquer besteira, qualquer merda. Precisava a todo custo manter a mente ocupada. Era necessário enterrar o que queria extrapolar de dentro dela.
Anjos. Nunca acreditou nesses seres alados e assexuados. Mas algumas pessoas escondem partes deles. Ninguém é um anjo em sua totalidade, e de certa maneira ela dava graças por aqueles não serem. Mas eles a ajudaram de uma forma que talvez nunca venham a saber. E talvez seja melhor dessa maneira. É incrível como certas pessoas têm o dom de abrir nossos olhos para o que possa chegar a ser o mais próximo da verdade e outras tenham o dom de nos acalmar com apenas um suspiro. (Há ainda, é claro, os piadistas das horas erradas, mas esses são raros, e quando se acha um, tente fazer com que ele te peça em casamento o mais rápido possível).
Algo continua errado com ela. E ela sabe. Mas o que mais a desespera, é saber que não pode fazer nada contra isso. Sabe que nunca vai entregar os pontos e pedir o que realmente deseja. Ser orgulhosa é um merda.
2:17 am
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