Que calor! Nossa, como está quente hoje...
Cadê minhas cobertas? Hey, tinham duas cobertas aqui antes... por que só restou uma?
Quero as minhas cobertas! Não posso ficar sem elas nesse calor todo!!!
Hey, meu edredon encolheu: puxo para cobrir minhas orelhas e minas pernas ficam desprotegidas até os joelhos. Empurro para baixo com a ponta dos meus pés e sinto o bafo infernal me dominar até a cintura.
O que está acontecendo? A cama está balançando. Ah, claro. Estou sobre o mar! Como eu pude ter esquecido disto?!
Minha cama é um pequeno pontinho sobre uma tecla de piano jogada no mar azul-marinho, junto com o restante das outras teclas que antes faziam parte do instrumento jurássico. O músico desistiu de embalar meu sono com canções-de-ninar sobre roqueiros dos anos 70...
Estou sozinha nessa imensidão escura. O céu é feito de veludo (ou algum outro tecido), com pequenos cristais bordados enfeitando o teto.
O calor já melhorou. Acho que eu devo ter mergulhado no mar... estou toda molhada. Mas... por que eu mergulharia nesse breu azulado tão calmo e assustador? Não faria sentido. Eu não tenho uma lanterna para isso.
Ah! Chegou e-mail. A imensa caixa amarelo-envelhecido se aproxima. Sete e-mails. Começo a abri-los.
Os irritantes bigodes beges de morsa. Eles sempre me fazem cócegas. Por que os e-mail têm que vir com eles?
Hum, nada interessante, a não ser por dois: um e-mail sobre um terrível engano, uma briga que só aconteceu para uma pessoa, a amnésia seletiva de outra, um amor desesperado e uma possível segunda chance; o segundo contem conselhos de uma amiga entendida em sexo sobre essa minha situação com meu homem-menino. Dica? Sejogamenina!
Mas como tudo isso se sustenta? Como esse mundo se sustenta?
Reparo no fim do horizonte e encontro a minha resposta. Salvador Dalí. Ele sustenta esse mundo.
Como em seus quadros, acho, quase onde a vista não pode alcançar, uma daquelas suas bengalas bifurcadas - sempre chamei aquilo de bengala, nunca encontrei nome melhor... não são as bengalas que nos sustentam de qualquer maneira?
Bem, aquela segurava o meu mundo, segurava meu céu azul e opaco, feito de algum tecido barato.
Olhando atentamente, vejo que aquilo não era um céu... pelo menos não o céu terráqueo. Era a parte de cima de uma barraca. Uma barraca para quatro pessoas. Era infinita. Mas na sua apertada imensidão só cabiam quatro pessoas. Mas eu estava sozinha. Eu, as teclas soltas de piano, minha caixa de e-mails, as gigantescas cartas de e-mail abertas, beges com bigodes da mesma cor, o taciturno, triste e aterrorizante oceano e o céu remendado.
Eu sabia que não estava sozinha. O assassino estava alí, em algum lugar, me espionando dos cantos escuros. Ele só vinha quando não havia mais luz suficiente, e as sobras (seu esconderijo favorito) dominavam o meu redor. Mas ele não podia fazer nada. Não sei porquê. A quanto tempo ele andava atrás de mim? Um, dois meses?
Droga. Dor de ouvido. É uma das dores mais irritantes que existe.
Efeito colateral do álcool. Por que quando eu bebo eu tenho dor de ouvido?
Não deveria ter bebido antes de dormir... mas como eu ia engolir o remédio? Como eu ia encarar meus sentimentos?
Ninguém entenderia se eu contasse que eu só consigo tomar remédio com vodka ou gin de alguma garrafa escondida debaixo da cama. Ninguém compreentenderia a dor de ouvido vinda do álcool. Ninguém aceitaria. Só uma pessoa... Mas ela não existe mais (alguma vez existiu?). Ela está desfeita, desmontada, desconstruída... está logo abaixo.
Me encarando de dentro desse mar.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
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2 comentários:
Oi guria! Achei teu blog por conta de um post comentando sobre espinhas, acne e td mais que a nossa pele não merece (rs)... Por isso, achei válido aparecer aqui e te deixar um coment. Ainda mais, pq eu faço de td para ficar com a pele bacana. Gosto de conversar com gente que queira a mesma coisa tbm :D
Bom, é isso. Apareça para trocarmos idéias sobre como ter a pele perfeita :)
;***
ps: vou aproveitar e te add nos favoritos do meu blog (y)
whaaaaaaaaaaaat?
Tenho cabelos brancos e olheiras, serve?
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