Não sei porquê aquele lugar mexe comigo. Só sei que mexe.
Vai contra tudo que eu sempre (ou quase sempre) sustentei. Há quanto tempo não acredito? Acho que nunca acreditei, mas só fui perceber isso quando me colocaram na linha de tiro, e vi que não havia nenhum muro para me apoiar. Os muros já foram derrubados. Os poucos que restam são alvos que ódio e desesperança.
Talvez seja por isso. Nunca tive algo no qual eu pudesse me agarrar. Nunca me senti confortável. Lugares lotados. Multidões em um coro silencioso. Toda a hipocrisia resumida em dois milênios e duas mil páginas.
Mas naquele lugar isso tudo não importava. Todo o ódio e remorso que eu sentia por aqueles símbolos, signos, ícones, representações, ilusões... nada daquilo era relevante. Pois havia algo mais. Algo que nunca senti em nenhum outro lugar. Talvez seja o que algumas pessoas chamam de sagrado. Eu prefiro não nomear.
Pode ter sido a fumaça, as gravuras desbotadas, as palavras e letras já mortas... mas eu senti que eu pertencia àquele lugar - algo muito raro de ocorrer.
Acendi uma vela. Sem pensar, lembrei de uma pessoa e pedi por ela.
Hoje sonhei com ela, e com a mesma vela que há tempos eu havia acendido.
Ela falou sobre fé. Não com palavras, visto que é muda quando se trata de pronunciar a verdade. Mas com seus olhos sempre descrentes, iluminados pela chama.
sábado, 1 de novembro de 2008
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Um comentário:
Fé? Seria a capacidade de se enganar a respeito de um desejo cujas probabidades de se realizar chegam perto da nulidade? Seria o conforto no qual as mentes, já cansadas de sofrer, repousam para sustentar uma felicidade inexistente? Sejá lá o que for essa fé, amiga, sustente-a visto que é ela que nos move...
Um dia seu sonho se realizará... estarei acendendo velas por você!!
SAUDADE BATENTO MUITO MAIS FORTE!!!
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