Não tenho tempo, apesar de gastá-lo de maneira despreocupada.
A falta de luz me faz sentir fraca, sem energia ou inspirações.
Após um tempo, ficou difícil continuar me enganando.
O alcóolismo intrínsico, a nerdice implícita.
O cabelo loiro, macio, brilhante.
Olhos de um azul pálido.
O sorriso sem riso.
Me apaixonei.
De verdade?
Não sei.
Mas o desejo.
As folhas caíram.
Já há neve no pátio.
Começo a me retomar.
Mas ainda há um pouco de fé.
Ainda que iluminada com parca luz.
Será que eu sou apenas alguém do passado?
domingo, 23 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Fé
Não sei porquê aquele lugar mexe comigo. Só sei que mexe.
Vai contra tudo que eu sempre (ou quase sempre) sustentei. Há quanto tempo não acredito? Acho que nunca acreditei, mas só fui perceber isso quando me colocaram na linha de tiro, e vi que não havia nenhum muro para me apoiar. Os muros já foram derrubados. Os poucos que restam são alvos que ódio e desesperança.
Talvez seja por isso. Nunca tive algo no qual eu pudesse me agarrar. Nunca me senti confortável. Lugares lotados. Multidões em um coro silencioso. Toda a hipocrisia resumida em dois milênios e duas mil páginas.
Mas naquele lugar isso tudo não importava. Todo o ódio e remorso que eu sentia por aqueles símbolos, signos, ícones, representações, ilusões... nada daquilo era relevante. Pois havia algo mais. Algo que nunca senti em nenhum outro lugar. Talvez seja o que algumas pessoas chamam de sagrado. Eu prefiro não nomear.
Pode ter sido a fumaça, as gravuras desbotadas, as palavras e letras já mortas... mas eu senti que eu pertencia àquele lugar - algo muito raro de ocorrer.
Acendi uma vela. Sem pensar, lembrei de uma pessoa e pedi por ela.
Hoje sonhei com ela, e com a mesma vela que há tempos eu havia acendido.
Ela falou sobre fé. Não com palavras, visto que é muda quando se trata de pronunciar a verdade. Mas com seus olhos sempre descrentes, iluminados pela chama.
Vai contra tudo que eu sempre (ou quase sempre) sustentei. Há quanto tempo não acredito? Acho que nunca acreditei, mas só fui perceber isso quando me colocaram na linha de tiro, e vi que não havia nenhum muro para me apoiar. Os muros já foram derrubados. Os poucos que restam são alvos que ódio e desesperança.
Talvez seja por isso. Nunca tive algo no qual eu pudesse me agarrar. Nunca me senti confortável. Lugares lotados. Multidões em um coro silencioso. Toda a hipocrisia resumida em dois milênios e duas mil páginas.
Mas naquele lugar isso tudo não importava. Todo o ódio e remorso que eu sentia por aqueles símbolos, signos, ícones, representações, ilusões... nada daquilo era relevante. Pois havia algo mais. Algo que nunca senti em nenhum outro lugar. Talvez seja o que algumas pessoas chamam de sagrado. Eu prefiro não nomear.
Pode ter sido a fumaça, as gravuras desbotadas, as palavras e letras já mortas... mas eu senti que eu pertencia àquele lugar - algo muito raro de ocorrer.
Acendi uma vela. Sem pensar, lembrei de uma pessoa e pedi por ela.
Hoje sonhei com ela, e com a mesma vela que há tempos eu havia acendido.
Ela falou sobre fé. Não com palavras, visto que é muda quando se trata de pronunciar a verdade. Mas com seus olhos sempre descrentes, iluminados pela chama.
domingo, 26 de outubro de 2008
Cabin Trip - um fim de semana entre as estrelas e as decepções.
Mesmo com toda a fama,
Com toda a brahma
Com toda a cama,
Com toda a lama
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama
Mesmo com todo o emblema,
Todo o problema
Todo o sistema,
Todo Ipanema
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa gema
Mesmo com o nada feito,
Com a sala escura
Com um nó no peito,
Com a cara dura
Não tem mais jeito,
A gente não tem cura
Mesmo com o todavia,
Com todo dia
Com todo ia,
Todo não ia
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa guia
Mesmo com todo rock,
Com todo pop
Com todo estoque,
Com todo Ibope
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando esse toque
Mesmo com toda sanha,
Toda façanha
Toda picanha,
Toda campanha
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa manha
Mesmo com toda estima,
Com toda esgrima
Com todo clima,
Com tudo em cima
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa rima
Mesmo com toda cédula,
Com toda célula
Com toda súmula,
Com toda sílaba
A gente vai levando,
A gente vai tocando,
A gente vai tomando
A gente vai dourando essa pílula.
Com toda a brahma
Com toda a cama,
Com toda a lama
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama
Mesmo com todo o emblema,
Todo o problema
Todo o sistema,
Todo Ipanema
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa gema
Mesmo com o nada feito,
Com a sala escura
Com um nó no peito,
Com a cara dura
Não tem mais jeito,
A gente não tem cura
Mesmo com o todavia,
Com todo dia
Com todo ia,
Todo não ia
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa guia
Mesmo com todo rock,
Com todo pop
Com todo estoque,
Com todo Ibope
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando esse toque
Mesmo com toda sanha,
Toda façanha
Toda picanha,
Toda campanha
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa manha
Mesmo com toda estima,
Com toda esgrima
Com todo clima,
Com tudo em cima
A gente vai levando,
A gente vai levando,
A gente vai levando
A gente vai levando essa rima
Mesmo com toda cédula,
Com toda célula
Com toda súmula,
Com toda sílaba
A gente vai levando,
A gente vai tocando,
A gente vai tomando
A gente vai dourando essa pílula.
Versos:
amores perdidos,
Clark Gable,
Denmark,
filmes,
frustrações,
intimices
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Voltas
Voltei.
Mas queria ficar.
Vou.
Mas querendo não ir.
Estou.
Mas não sei em que direção virar.
Fui.
Mas acabei me perdendo no meio do caminho.
Dando voltas e voltas, vi teu reflexo nas vitrines, ouvi tua voz nas esquinas.
Desejando não mais ouvir-te nem ver-te.
Mas o mundo já deu meia volta.
Fui.
Estou.
Vou.
Voltei.
Mas continuo a dar voltas em mim mesma.
Mas queria ficar.
Vou.
Mas querendo não ir.
Estou.
Mas não sei em que direção virar.
Fui.
Mas acabei me perdendo no meio do caminho.
Dando voltas e voltas, vi teu reflexo nas vitrines, ouvi tua voz nas esquinas.
Desejando não mais ouvir-te nem ver-te.
Mas o mundo já deu meia volta.
Fui.
Estou.
Vou.
Voltei.
Mas continuo a dar voltas em mim mesma.
Versos:
concha,
frustrações,
random thoughts
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
O Vietnamita de Viena
Me apaixonei. Não sei se de verdade. Mas o fato é que ele me conquistou com seu jeito tímido, seu sorriso sem riso, seus olhos quando fecham, seu jeito doce e desajeitado, as roupas um tanto largas, o cabelo tão macio e bagunçado, seu abraço carinhoso e seu beijo taciturno; pelo fato de ele estar bêbado 90% do tempo em que o vejo - e nesse tempo, ele fala o que lhe vem na cabeça de maneira tão lacônica, despreocupada e doce, mesmo que seja para falar a verdade crua (mas não cruel) de que não temos nada, e que aquilo foi só um beijo de duas pessoas felizes numa festa -; da maneira como ele ficou enciumado quando me viu com outro cara; como aproxima seu rosto perigosamente do meu quando conversamos/discutimos - nossos narizes chegam a se encostar e eu consigo por vezes sentir o gosto dele novamente -; e claro a maneira como ele brinca comigo, rouba meu gorro, me faz correr atrás dele, brava, porém encantada e feliz por fazer as outras garotas me olharem com ódio e inveja - pois ele é meu mais grandioso troféu! E fazia tanto tempo que eu não sentia ciúmes de alguém... ele está sempre rodeado de pessoas: é alegre e engraçado, cheio de amigos e meninas que grudam nele. E ele não liga... parece uma criança que se diverte com tudo ao seu redor. Eu sei o quão cliché é falar que ele é especial e diferente de todos os outros que eu já conheci, mas de certa forma é verdade. Se ele pode ser considerado um cafajeste - o que eu não acho que seja o caso -, o é de forma romântica e descomprometida. De alguma forma ele também tem um ar de nerd... da mesma maneira que é um alcoólatra incurável, ele é também um nerd incurável. Poucos por aqui sabem, mas por trás de toda essa boemia, há um rato de biblioteca, que leva a sério seus estudos. E de uma certa maneira, ele me parece um músico, ou poeta romântico e auto-destrutivo, que vive a vida sem se importar com o amanhã e o ontem. O que realmente importa, é ter um copo na mão e um motivo para ter um sorriso nos lábios.
Versos:
amores perdidos,
falsos inícios,
ficções,
intimices
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Notas de Verão sobre Impressões do Inverno
O verão acabou... ou ao menos o que era para ser o verão.
As cores mudam, as horas mudam, certos sentimentos não mudam. As folhas alaranjaram, as roupas acinzentaram e ainda assim não consigo distinguir o preto e branco do colorido. As sombras estão cada vez maiores, tanto as externas como as internas... mas tenho vinho e luz de vela para me reconfortar.
Meu pequeno quarto está sempre tão bagunçado... tenho evitado meus senhorios. Assim é melhor. Talvez... não. Pra quê me elevar à categoria de literatura dramática? Minha mania tola de querer viver numa St. Petersburgo de Dostoiévsky ou numa Londres de Woody Allen (sinto muito, mas Barcelona não é a minha cara). Mas vivo na Copenhagen de Andersen de bom grado. E já aprendi com o autor: nunca ame o que você não pode ter... essa é a verdadeira moral da história para a pequena sereia - e que pequena!
Quanto mais eu bebo menos bêbada fico - e o contrário também é estranhamente verdadeiro. O dinheiro sempre acaba antes do clímax. Mas me sinto muito mais embriagada pelo vento e a sensação de liberdade que me perpassa (ou ultrapassa?) toda vez que bicicleto até o mar no final do dia; de madrugada; para ver o nascer do sol... sim, digo "bicicletar". Se os dinamarqueses têm o verbo cycle (leia-se süclê, com biquinho), eu também posso ter um verbo com o mesmo significado.
Amo a praia de Amager - e amo a sonoridade dessa palavra... é como pronunciar "amar", mas um pouco mais pausado e com ênfase no primeiro "a" (todas as outras palavras em dinamarquês são feias e incoerentes). Não consigo ficar mais que três dias sem andar por lá, faça chuva, sol ou vento - o que, aqui, é o pior de tudo. Mas as curvas e caminhos de Amager estão acima disso... pedalo até começar a sentir cãibras (uma das palavras mais feias da língua portuguesa) e mesmo depois disso. Pedalo até até escurecer ouvindo Belle & Sebastian.
E como eu amo música! Como eu nunca havia percebido isso antes? E se for ao vivo ainda melhor... os festivais de rock de verão, as noites de jazz de domingo, bandas folks que estão nos bares e as grandes bandas nas grandes venues... pena que vou viajar semana que vem e perder alguns bons shows...
Mas do que eu reclamo? Logo mais embarco para a Rússia... meu sonho durante anos. Preciso comprar luvas e casacos. Talvez neve por lá. Quem sabe acho algum parente distante? Eu deveria fazer a mesma busca pela Espanha e Itália... pelo menos sei em que regiões procurar.
Nos últimos dias quis queimar uma foto. A única que carrego comigo. Mas seria pitoresco e cinematográfico demais, ainda mais se o fizesse no pier de madeira da praia. Para quê? Sei que gosto de prolongar minhas sombras, assim como o outono dinamarquês. Não... faz tanto tempo que nem olho para a foto... deixo onde ela está: longe dos meus olhos mas ao alcance de minhas mãos.
É estranho como releituras de um mesmo personagem sempre acabam aparecendo na minha vida. Recentemente foi um Kurt Cobain europeu, alcoólatra e doce. Sempre acabo me desiludido com uma noite de verdades... ao menos dessa vez foi para o bem. "Only unfulfilled love can be romantic", já diria - ou dirá - um dos meus cineastas favoritos.
Tenho economizado em algumas coisas para poder fazer outras: as vezes não como para poder ir ao cinema. Ou não compro agasalhos para fazer uma refeição decente. Também economizo nas verdades para fazer o mundo parecer mais interessante. As vezes guardo as mentiras até elas amadurecerem e parecerem verdades - por vezes estragam, azedam e acabam apenas servindo como um conservante para velhas mágoas.
Sinto saudades. Não sei direito de quem ou do quê. Sei de quem e do que sinto falta. É tudo e nada. Como eu poderia sentir saudades de coisas - e pessoas - que não mais existem? O saudosismo é doença e me mata devagar. Palavras, afinal, são apenas palavras - ou uma junção ordenada de letras se você preferir a versão dos chatos-, e as lágrimas podem ser apenas conseqüência do vento frio contra meus olhos.
Não quero abrir os olhos. Ainda não sei em que lugar pertenço - sempre soube, entretanto, o que me pertence. Descobri, porém, aonde não pertenço.
As cores mudam, as horas mudam, certos sentimentos não mudam. As folhas alaranjaram, as roupas acinzentaram e ainda assim não consigo distinguir o preto e branco do colorido. As sombras estão cada vez maiores, tanto as externas como as internas... mas tenho vinho e luz de vela para me reconfortar.
Meu pequeno quarto está sempre tão bagunçado... tenho evitado meus senhorios. Assim é melhor. Talvez... não. Pra quê me elevar à categoria de literatura dramática? Minha mania tola de querer viver numa St. Petersburgo de Dostoiévsky ou numa Londres de Woody Allen (sinto muito, mas Barcelona não é a minha cara). Mas vivo na Copenhagen de Andersen de bom grado. E já aprendi com o autor: nunca ame o que você não pode ter... essa é a verdadeira moral da história para a pequena sereia - e que pequena!
Quanto mais eu bebo menos bêbada fico - e o contrário também é estranhamente verdadeiro. O dinheiro sempre acaba antes do clímax. Mas me sinto muito mais embriagada pelo vento e a sensação de liberdade que me perpassa (ou ultrapassa?) toda vez que bicicleto até o mar no final do dia; de madrugada; para ver o nascer do sol... sim, digo "bicicletar". Se os dinamarqueses têm o verbo cycle (leia-se süclê, com biquinho), eu também posso ter um verbo com o mesmo significado.
Amo a praia de Amager - e amo a sonoridade dessa palavra... é como pronunciar "amar", mas um pouco mais pausado e com ênfase no primeiro "a" (todas as outras palavras em dinamarquês são feias e incoerentes). Não consigo ficar mais que três dias sem andar por lá, faça chuva, sol ou vento - o que, aqui, é o pior de tudo. Mas as curvas e caminhos de Amager estão acima disso... pedalo até começar a sentir cãibras (uma das palavras mais feias da língua portuguesa) e mesmo depois disso. Pedalo até até escurecer ouvindo Belle & Sebastian.
E como eu amo música! Como eu nunca havia percebido isso antes? E se for ao vivo ainda melhor... os festivais de rock de verão, as noites de jazz de domingo, bandas folks que estão nos bares e as grandes bandas nas grandes venues... pena que vou viajar semana que vem e perder alguns bons shows...
Mas do que eu reclamo? Logo mais embarco para a Rússia... meu sonho durante anos. Preciso comprar luvas e casacos. Talvez neve por lá. Quem sabe acho algum parente distante? Eu deveria fazer a mesma busca pela Espanha e Itália... pelo menos sei em que regiões procurar.
Nos últimos dias quis queimar uma foto. A única que carrego comigo. Mas seria pitoresco e cinematográfico demais, ainda mais se o fizesse no pier de madeira da praia. Para quê? Sei que gosto de prolongar minhas sombras, assim como o outono dinamarquês. Não... faz tanto tempo que nem olho para a foto... deixo onde ela está: longe dos meus olhos mas ao alcance de minhas mãos.
É estranho como releituras de um mesmo personagem sempre acabam aparecendo na minha vida. Recentemente foi um Kurt Cobain europeu, alcoólatra e doce. Sempre acabo me desiludido com uma noite de verdades... ao menos dessa vez foi para o bem. "Only unfulfilled love can be romantic", já diria - ou dirá - um dos meus cineastas favoritos.
Tenho economizado em algumas coisas para poder fazer outras: as vezes não como para poder ir ao cinema. Ou não compro agasalhos para fazer uma refeição decente. Também economizo nas verdades para fazer o mundo parecer mais interessante. As vezes guardo as mentiras até elas amadurecerem e parecerem verdades - por vezes estragam, azedam e acabam apenas servindo como um conservante para velhas mágoas.
Sinto saudades. Não sei direito de quem ou do quê. Sei de quem e do que sinto falta. É tudo e nada. Como eu poderia sentir saudades de coisas - e pessoas - que não mais existem? O saudosismo é doença e me mata devagar. Palavras, afinal, são apenas palavras - ou uma junção ordenada de letras se você preferir a versão dos chatos-, e as lágrimas podem ser apenas conseqüência do vento frio contra meus olhos.
Não quero abrir os olhos. Ainda não sei em que lugar pertenço - sempre soube, entretanto, o que me pertence. Descobri, porém, aonde não pertenço.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Pílula
Tanta coisa acontecendo, mudando.
Mas não tenho tempo e/ou energia para escrever.
Mil posts prontos na minha cabeça:
meu mais novo amor;
biciletices;
minha renovada paixão pela música;
shows - minha renovada paixão pela música II - o "ao vivo";
roubos;
consumismo;
como começar a entender a xenofobia;
os dinamarqueses;
as saudades;
um abraço: como tornar a vida de um ser humano menos miserável.
Talvez eu consiga escrever um pouco sobre isso tudo até o final do ano. Já tenho quatro papers para fazer, algumas dezenas de centenas de páginas para ler e vários para bares para conhecer.
Fill in the blank... go on and really use your imagination:
Mallu Magalhães - Get To Denmark
No, we didn't find our place
'Cause I just can't see your face close to my ear
Imagine if distance disappear
So you could de here
I tried another guys, but they were just my mind's lies
Trying to find another Dani, Bob, Ricky or even Lenin
Couldn't love me, like you used to do
I hate being so far, where I just cant go by car
Flying is an option
I didn't even see your bags
But I've got two arms and two legs
I could swim the whole ocean
If I could see you
If I could hold you
If I could get to Denmark
Watching "knights who say nii"
Mouth to mouth but I could see the movie
I tried rebuilding the scene on my mind's dark
But I can't forget I've got to get to Denmark
So many secrets I wanted to tell
So many thing we could try
Although at first I was even well
'Cause I thought you'd be back by July
So, knights of my heart
Take my ______ back from Denmark.
Mas não tenho tempo e/ou energia para escrever.
Mil posts prontos na minha cabeça:
meu mais novo amor;
biciletices;
minha renovada paixão pela música;
shows - minha renovada paixão pela música II - o "ao vivo";
roubos;
consumismo;
como começar a entender a xenofobia;
os dinamarqueses;
as saudades;
um abraço: como tornar a vida de um ser humano menos miserável.
Talvez eu consiga escrever um pouco sobre isso tudo até o final do ano. Já tenho quatro papers para fazer, algumas dezenas de centenas de páginas para ler e vários para bares para conhecer.
Fill in the blank... go on and really use your imagination:
Mallu Magalhães - Get To Denmark
No, we didn't find our place
'Cause I just can't see your face close to my ear
Imagine if distance disappear
So you could de here
I tried another guys, but they were just my mind's lies
Trying to find another Dani, Bob, Ricky or even Lenin
Couldn't love me, like you used to do
I hate being so far, where I just cant go by car
Flying is an option
I didn't even see your bags
But I've got two arms and two legs
I could swim the whole ocean
If I could see you
If I could hold you
If I could get to Denmark
Watching "knights who say nii"
Mouth to mouth but I could see the movie
I tried rebuilding the scene on my mind's dark
But I can't forget I've got to get to Denmark
So many secrets I wanted to tell
So many thing we could try
Although at first I was even well
'Cause I thought you'd be back by July
So, knights of my heart
Take my ______ back from Denmark.
domingo, 17 de agosto de 2008
Meus Tatus-bolas
Numa noite dessas estava eu andando pela rua, voltando pra minha casa depois da balada. Não sei porquê resolvi fazer o percurso inteiro fitando o chão. Pedras, cascalhos... Paro. Volto. Não acreditava nos meus olhos. Tive de agachar e verificar mais de perto. Mas era aquilo mesmo: um tatu-bola, andando pela calçada, às 5 horas da manhã, no sul de Copenhague.
Peguei-o.
Desde quando não vejo um tatu-bola? Depois de um tempo, tive para mim que tatus-bolas são criaturas mágicas apenas visíveis para crianças. Vai ver a Dinamarca é mágica. Ou então eu voltei a ser criança. (Segundo os meus amigos eu devia ter cheirado para poder ter visto um tatu-bola por aqui, mas não foi esse o caso, já que nem bêbada eu estava porque havia perdido meu dinheiro). Fiquei brincando com o bichinho na minha mão até chegar em casa. Deveria ter guardado-o como prova da minha sanidade.
Passei os dias seguintes encantada com minha descoberta... mas depois de um tempo percebi que não encontrava-os mais. Então numa tarde decidi refazer meus passos: desde o metrô até minha casa fiquei apenas olhando para a calçada. Mas encontrei apenas um cemitério de tatus-bolas: todos imóveis e sem vida.
Me senti péssima. Como se na minha vida sempre houvesse existido pequenas coisas, mas que eram descomunalmente especiais e caras quando eu era pequena, e que com o passar do tempo deixaram de ser memoráveis e acabei por parar de notá-las. Tenho medo de descobrir que essas coisas ainda me são caras e especiais, mas se eu as procurar, não vou mais achá-las, apenas sombras do que foram. Tenho medo de voltar e não encontra mais os tatus-bolas que eu deixei para trás, seja por minha omissão, seja por sua escolha, seja pela tola casualidade do destino.
PS: Não sei se o certo é tatus-bola, tatu-bolas ou tatus-bolas, então optei pelo último simplesmente por tentar agradar as duas primeiras opções.
Peguei-o.
Desde quando não vejo um tatu-bola? Depois de um tempo, tive para mim que tatus-bolas são criaturas mágicas apenas visíveis para crianças. Vai ver a Dinamarca é mágica. Ou então eu voltei a ser criança. (Segundo os meus amigos eu devia ter cheirado para poder ter visto um tatu-bola por aqui, mas não foi esse o caso, já que nem bêbada eu estava porque havia perdido meu dinheiro). Fiquei brincando com o bichinho na minha mão até chegar em casa. Deveria ter guardado-o como prova da minha sanidade.
Passei os dias seguintes encantada com minha descoberta... mas depois de um tempo percebi que não encontrava-os mais. Então numa tarde decidi refazer meus passos: desde o metrô até minha casa fiquei apenas olhando para a calçada. Mas encontrei apenas um cemitério de tatus-bolas: todos imóveis e sem vida.
Me senti péssima. Como se na minha vida sempre houvesse existido pequenas coisas, mas que eram descomunalmente especiais e caras quando eu era pequena, e que com o passar do tempo deixaram de ser memoráveis e acabei por parar de notá-las. Tenho medo de descobrir que essas coisas ainda me são caras e especiais, mas se eu as procurar, não vou mais achá-las, apenas sombras do que foram. Tenho medo de voltar e não encontra mais os tatus-bolas que eu deixei para trás, seja por minha omissão, seja por sua escolha, seja pela tola casualidade do destino.
PS: Não sei se o certo é tatus-bola, tatu-bolas ou tatus-bolas, então optei pelo último simplesmente por tentar agradar as duas primeiras opções.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Por essas e outras eu digo: Go East!

Retirado do site da NME.
Emo to be made illegal in Russia?
Jul 23, 2008
A new Russian law could make being an emo kid illegal in the eastern European country.
Legislation is currenting being formulated in Russia to heavily regulate emo websites and ban emo and goth dress style in schools and government buildings.
The new laws are apparently being driven by fears that these "dangerous teen trends" encourage depression and suicide.
The legislation was presented last month at a hearing held by the State Durma, where critics claimed that the "negative" emo culture encourages anti-social behaviour and glorifies suicide.
Emo kids were described as teenagers who wear black, have facial piercings and black hair with fringes that "cover half the face", reports The Guardian
The weekend saw mass protests by Russian emo kids.
In Krasnoyarsk, Siberia, where laws are already being implemented, protestors in a march held signs saying "A Totalitarian State Encourages Stupidity".
Dmitry Gilevich of Russian emo band MAIO stepped in backing the protests, saying: "Expressing psychological emotions is not forbidden by law."
However, emo critics remain unconvinced.
Alexander Grishunin, an adviser to bill sponsor Yevgeny Yuryev, described a ban as necessary, stating: "This is the first step in the public discourse."
The moves in Russia follow criticism of the genre in the UK earlier this year, which saw My Chemical Romance fans protesting at the offices of British newspaper The Daily Mail over their coverage which linked emo with suicide.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Post continuação dos posts que não foram postados ou que um dia serão postados. (ou "O Futuro do Pretérito")
Parece difícil, ou parecia... já não sei mais.
Acabei de beber mais um gole... coragem? Acho que não é mais necessário. Qualquer pessoa é mais corajosa do que a quem me dirijo. Um covarde sem tamanho. Eu posso ser idiota, estúpida, ingênua, mas não perdôo duas vezes a mesma falha... ou isso era antes de te conhecer?
Que me importa? Olhando para trás vejo que não merece a verdade (ou os louros de sua frágil conquista). Talvez o meu egoísmo e minha mesquinhez serviriam para meu consolo (e para sua desgraça). Mas sei que não tenho coragem. Teria com qualquer um, mas menos com você.
A única pessoa nesse momento? Meu menino-homem, que deve estar em algum lugar com seu violão, cantando baixinho para a lua, que reflete em seus olhos negros e solitários... Disse "meu" menino-homem? Nunca foi meu nem de ninguém... apenas do meu coração, que ao contrário do homem-menino, o aceitou, e agradeceu a oferta sincera, embora dissesse que não podia tomá-lo para si, pois a distância e o tempo são mais cruéis do que se imagina. Não disse isso com a boca, mas sim com o olhar, seu meio de comunicação por excelência (a boca, ele usava para cantar baixinho e dizer tímidos olás, e verdades que não machucam, e só).
"Te amo"
"Não sabia" disse, apesar de seus olhos mentirem. Cinco anos eram demais para qualquer pessoa.
Os outros faziam um pedido silencioso.
"Não posso, estaria machucando."
A quem? Você? Eu? Nem os olhos puderem dizer a resposta. Não me importava. Ele entendia. Ela entendia. Isso bastava.
Os encontros posteriores foram amenos, como se ambos tivessem assinado um pacto de respeito mútuo. Ele com sua namorada. Ela com seu amor da semana.
E nunca mais havia falado ou escrito sobre isso, até hoje. Fazem quatro anos, e quando me vejo em dificuldades lembro dessa cena (de cinema? de teatro? de um romance? de um roteiro? de minha imaginação? plágio?) e sossego as saudades futuras das pessoas. E já que é difícil dizer a todos (seja por falta de tempo, de espaço ou de coragem) que as amo, deixo aqui minha mensagem...
Eu te amo... e você sabe disso.
Acabei de beber mais um gole... coragem? Acho que não é mais necessário. Qualquer pessoa é mais corajosa do que a quem me dirijo. Um covarde sem tamanho. Eu posso ser idiota, estúpida, ingênua, mas não perdôo duas vezes a mesma falha... ou isso era antes de te conhecer?
Que me importa? Olhando para trás vejo que não merece a verdade (ou os louros de sua frágil conquista). Talvez o meu egoísmo e minha mesquinhez serviriam para meu consolo (e para sua desgraça). Mas sei que não tenho coragem. Teria com qualquer um, mas menos com você.
A única pessoa nesse momento? Meu menino-homem, que deve estar em algum lugar com seu violão, cantando baixinho para a lua, que reflete em seus olhos negros e solitários... Disse "meu" menino-homem? Nunca foi meu nem de ninguém... apenas do meu coração, que ao contrário do homem-menino, o aceitou, e agradeceu a oferta sincera, embora dissesse que não podia tomá-lo para si, pois a distância e o tempo são mais cruéis do que se imagina. Não disse isso com a boca, mas sim com o olhar, seu meio de comunicação por excelência (a boca, ele usava para cantar baixinho e dizer tímidos olás, e verdades que não machucam, e só).
"Te amo"
"Não sabia" disse, apesar de seus olhos mentirem. Cinco anos eram demais para qualquer pessoa.
Os outros faziam um pedido silencioso.
"Não posso, estaria machucando."
A quem? Você? Eu? Nem os olhos puderem dizer a resposta. Não me importava. Ele entendia. Ela entendia. Isso bastava.
Os encontros posteriores foram amenos, como se ambos tivessem assinado um pacto de respeito mútuo. Ele com sua namorada. Ela com seu amor da semana.
E nunca mais havia falado ou escrito sobre isso, até hoje. Fazem quatro anos, e quando me vejo em dificuldades lembro dessa cena (de cinema? de teatro? de um romance? de um roteiro? de minha imaginação? plágio?) e sossego as saudades futuras das pessoas. E já que é difícil dizer a todos (seja por falta de tempo, de espaço ou de coragem) que as amo, deixo aqui minha mensagem...
Eu te amo... e você sabe disso.
Versos:
amores perdidos,
concha,
ficções,
filmes,
frustrações,
intimices,
olhos negros
sábado, 12 de julho de 2008
Hiato
Não escrevo a tanto tempo... desde quando? Não cheguei a publicar meus últimos posts: ressentimentos curados, paixões desfeitas, solidão e tristeza prolixas... Tanto faz. Depois de tudo, ainda não tenho tempo para escrever (ou continuo usando isso como desculpa para minha falta de capacidade em organizar pensamentos em orações com um mínimo de sentido para o falante ordinário do português).
E há tanta coisa a se falar... para tantas pessoas... para uma pessoa... para ninguém. Seria egoísta demais. Ninguém tem o direito de contar a verdade para outra pessoa, mesmo que isso custe mais noites de insônia do que o previsto para uma vida inteira. Ainda bem que tenho uns bons cd's com músicas tristes comigo e alguns dvd's de filmes noir... pena que amigos não cabem nas minhas malas...
E há tanta coisa a se falar... para tantas pessoas... para uma pessoa... para ninguém. Seria egoísta demais. Ninguém tem o direito de contar a verdade para outra pessoa, mesmo que isso custe mais noites de insônia do que o previsto para uma vida inteira. Ainda bem que tenho uns bons cd's com músicas tristes comigo e alguns dvd's de filmes noir... pena que amigos não cabem nas minhas malas...
Versos:
concha,
falsos inícios,
frustrações
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Febre
Que calor! Nossa, como está quente hoje...
Cadê minhas cobertas? Hey, tinham duas cobertas aqui antes... por que só restou uma?
Quero as minhas cobertas! Não posso ficar sem elas nesse calor todo!!!
Hey, meu edredon encolheu: puxo para cobrir minhas orelhas e minas pernas ficam desprotegidas até os joelhos. Empurro para baixo com a ponta dos meus pés e sinto o bafo infernal me dominar até a cintura.
O que está acontecendo? A cama está balançando. Ah, claro. Estou sobre o mar! Como eu pude ter esquecido disto?!
Minha cama é um pequeno pontinho sobre uma tecla de piano jogada no mar azul-marinho, junto com o restante das outras teclas que antes faziam parte do instrumento jurássico. O músico desistiu de embalar meu sono com canções-de-ninar sobre roqueiros dos anos 70...
Estou sozinha nessa imensidão escura. O céu é feito de veludo (ou algum outro tecido), com pequenos cristais bordados enfeitando o teto.
O calor já melhorou. Acho que eu devo ter mergulhado no mar... estou toda molhada. Mas... por que eu mergulharia nesse breu azulado tão calmo e assustador? Não faria sentido. Eu não tenho uma lanterna para isso.
Ah! Chegou e-mail. A imensa caixa amarelo-envelhecido se aproxima. Sete e-mails. Começo a abri-los.
Os irritantes bigodes beges de morsa. Eles sempre me fazem cócegas. Por que os e-mail têm que vir com eles?
Hum, nada interessante, a não ser por dois: um e-mail sobre um terrível engano, uma briga que só aconteceu para uma pessoa, a amnésia seletiva de outra, um amor desesperado e uma possível segunda chance; o segundo contem conselhos de uma amiga entendida em sexo sobre essa minha situação com meu homem-menino. Dica? Sejogamenina!
Mas como tudo isso se sustenta? Como esse mundo se sustenta?
Reparo no fim do horizonte e encontro a minha resposta. Salvador Dalí. Ele sustenta esse mundo.
Como em seus quadros, acho, quase onde a vista não pode alcançar, uma daquelas suas bengalas bifurcadas - sempre chamei aquilo de bengala, nunca encontrei nome melhor... não são as bengalas que nos sustentam de qualquer maneira?
Bem, aquela segurava o meu mundo, segurava meu céu azul e opaco, feito de algum tecido barato.
Olhando atentamente, vejo que aquilo não era um céu... pelo menos não o céu terráqueo. Era a parte de cima de uma barraca. Uma barraca para quatro pessoas. Era infinita. Mas na sua apertada imensidão só cabiam quatro pessoas. Mas eu estava sozinha. Eu, as teclas soltas de piano, minha caixa de e-mails, as gigantescas cartas de e-mail abertas, beges com bigodes da mesma cor, o taciturno, triste e aterrorizante oceano e o céu remendado.
Eu sabia que não estava sozinha. O assassino estava alí, em algum lugar, me espionando dos cantos escuros. Ele só vinha quando não havia mais luz suficiente, e as sobras (seu esconderijo favorito) dominavam o meu redor. Mas ele não podia fazer nada. Não sei porquê. A quanto tempo ele andava atrás de mim? Um, dois meses?
Droga. Dor de ouvido. É uma das dores mais irritantes que existe.
Efeito colateral do álcool. Por que quando eu bebo eu tenho dor de ouvido?
Não deveria ter bebido antes de dormir... mas como eu ia engolir o remédio? Como eu ia encarar meus sentimentos?
Ninguém entenderia se eu contasse que eu só consigo tomar remédio com vodka ou gin de alguma garrafa escondida debaixo da cama. Ninguém compreentenderia a dor de ouvido vinda do álcool. Ninguém aceitaria. Só uma pessoa... Mas ela não existe mais (alguma vez existiu?). Ela está desfeita, desmontada, desconstruída... está logo abaixo.
Me encarando de dentro desse mar.
Cadê minhas cobertas? Hey, tinham duas cobertas aqui antes... por que só restou uma?
Quero as minhas cobertas! Não posso ficar sem elas nesse calor todo!!!
Hey, meu edredon encolheu: puxo para cobrir minhas orelhas e minas pernas ficam desprotegidas até os joelhos. Empurro para baixo com a ponta dos meus pés e sinto o bafo infernal me dominar até a cintura.
O que está acontecendo? A cama está balançando. Ah, claro. Estou sobre o mar! Como eu pude ter esquecido disto?!
Minha cama é um pequeno pontinho sobre uma tecla de piano jogada no mar azul-marinho, junto com o restante das outras teclas que antes faziam parte do instrumento jurássico. O músico desistiu de embalar meu sono com canções-de-ninar sobre roqueiros dos anos 70...
Estou sozinha nessa imensidão escura. O céu é feito de veludo (ou algum outro tecido), com pequenos cristais bordados enfeitando o teto.
O calor já melhorou. Acho que eu devo ter mergulhado no mar... estou toda molhada. Mas... por que eu mergulharia nesse breu azulado tão calmo e assustador? Não faria sentido. Eu não tenho uma lanterna para isso.
Ah! Chegou e-mail. A imensa caixa amarelo-envelhecido se aproxima. Sete e-mails. Começo a abri-los.
Os irritantes bigodes beges de morsa. Eles sempre me fazem cócegas. Por que os e-mail têm que vir com eles?
Hum, nada interessante, a não ser por dois: um e-mail sobre um terrível engano, uma briga que só aconteceu para uma pessoa, a amnésia seletiva de outra, um amor desesperado e uma possível segunda chance; o segundo contem conselhos de uma amiga entendida em sexo sobre essa minha situação com meu homem-menino. Dica? Sejogamenina!
Mas como tudo isso se sustenta? Como esse mundo se sustenta?
Reparo no fim do horizonte e encontro a minha resposta. Salvador Dalí. Ele sustenta esse mundo.
Como em seus quadros, acho, quase onde a vista não pode alcançar, uma daquelas suas bengalas bifurcadas - sempre chamei aquilo de bengala, nunca encontrei nome melhor... não são as bengalas que nos sustentam de qualquer maneira?
Bem, aquela segurava o meu mundo, segurava meu céu azul e opaco, feito de algum tecido barato.
Olhando atentamente, vejo que aquilo não era um céu... pelo menos não o céu terráqueo. Era a parte de cima de uma barraca. Uma barraca para quatro pessoas. Era infinita. Mas na sua apertada imensidão só cabiam quatro pessoas. Mas eu estava sozinha. Eu, as teclas soltas de piano, minha caixa de e-mails, as gigantescas cartas de e-mail abertas, beges com bigodes da mesma cor, o taciturno, triste e aterrorizante oceano e o céu remendado.
Eu sabia que não estava sozinha. O assassino estava alí, em algum lugar, me espionando dos cantos escuros. Ele só vinha quando não havia mais luz suficiente, e as sobras (seu esconderijo favorito) dominavam o meu redor. Mas ele não podia fazer nada. Não sei porquê. A quanto tempo ele andava atrás de mim? Um, dois meses?
Droga. Dor de ouvido. É uma das dores mais irritantes que existe.
Efeito colateral do álcool. Por que quando eu bebo eu tenho dor de ouvido?
Não deveria ter bebido antes de dormir... mas como eu ia engolir o remédio? Como eu ia encarar meus sentimentos?
Ninguém entenderia se eu contasse que eu só consigo tomar remédio com vodka ou gin de alguma garrafa escondida debaixo da cama. Ninguém compreentenderia a dor de ouvido vinda do álcool. Ninguém aceitaria. Só uma pessoa... Mas ela não existe mais (alguma vez existiu?). Ela está desfeita, desmontada, desconstruída... está logo abaixo.
Me encarando de dentro desse mar.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Curtas
As cinco marchas da irritação:
1 - Sorriso, disfarça. "Ah, tudo bem. Depois a gente ri da situação".
2 - Aperta os lábios (a là O Diabo Veste Prada). Faz cara de quem não gostou. Ensaia um olhar assassino. A voz sobe.
3 - A conversa vira gritaria (e ai do ser que falar para não levantar a voz). Os olhos começam a faiscar. O olhar de assassino não é mais um teatro.
4 - Os palavrões começam a sair sem controle. Quem está por perto começa a olhar. O olhar homicida começa a surtir efeito em algumas pessoas. Os olhos começam a marejar. Uma dose de gin já se faz necessária.
5 - Os palavrões e xingamentos são destinados a qualquer ser que faça sombra, num raio de quinhentos metros, sem distinções. Coisas quebram. Machucados leves. As lágrimas já escorrem. No mínimo 3 doses de gin e um rivotril se fazem necessários.
Ainda bem que ainda não chegamos à sexta marcha.
* * * * * *
They tried to make me go to the squad, and I said, "No, no, no"
Yes, I've been in bed, but when I go awake you'll know, know, know
I ain't got the time and if the jerks think I'm fine
They tried to make me go to the yard, and I said, "No, no, no"
I said: "Caralho! Vão se fuder seu bando de putos de merda!"
* * * * * *
É incrível como que, no meio de 10 mil pessoas, a gente ache justamente aquela pessoa que nós nunca mais queríamos ver na vida, enquanto que, quem procuramos desesperadamente, só aparece em nossos devaneios. Daí fingimos que não vemos até quando der, e quando um "olá" for inevitável, nós abrimos um sorriso amarelo e esbanjamos cinismo.
* * * * * *
A mesma situação acima, mas trocando os pontos de vista.
* * * * * *
VIZINHO: Oi vizinha. Tudo bem?
VIZINHA: Olá vizinho! Tudo! Quer um gole?
VIZINHO: Que é isso? Parece perfume.
VIZINHA: É gin. É perfumado assim mesmo. É a pior bebida para a fígado.
VIZINHA entorna a garrafa de gin na boca, sorvendo generosos goles, enquanto VIZINHO faz uma cara mostrando um misto de susto e admiração.
VIZINHA: Mas não se preocupe. Fígado se regenera.
* * * * * *
Fazia tanto tempo que eu não me sentia relaxada daquela maneira. Depois de quase duas semanas dormindo apenas duas horas por dia, eu estava conseguindo acordar da minha terceira hora de sono daquele dia. Um luxo.
Mas não era isso que me deixava feliz daquela maneira... era um som, o som de alguém tocando suavemente um violão, cantando baixinho alguma canção. Eu podia ficar ali eternamente, enquanto a lembrança de um outro violão, de uma outra voz, passava pela minha cabeça... e no fundo dos olhos eu ainda podia enxergar a figura amada do menino-homem.
* * * * * *
Agora eu sei: o próximo será fatal. Não vou agüentar um quarto. Me sinto fraca. Sinto o peito pesado, falta de ar, falta de fôlego, falta de vontade de continuar, de tentar. E não me venham com pneumologistas e seus diagnósticos frios. Prefiro morrer em paz.
* * * * * *
A grama (e a cerveja, a festa, a música, a galera, a comida, a vibe) do alojas vizinho é sempre mais verde.
* * * * * *
O que eu mais quero nesse momento? Desconstruir uma pessoa.
* * * * * *
Ele desconstruiu a amizade. Como se fosse a coisa mais fácil desse mundo. Precisou menos de 5 minutos. Fácil. Rápido. Indolor. Apenas não sabia que não era indolor apenas para ele.
* * * * * *
Constatação interessante: em certos habitats, uma camiseta dos Beatles chama mais atenção do que um decote. Mas não quase tanto quanto um chapéu.
* * * * * *
Dicas de programação para domingo a tarde:
Vagueie a esmo por uma pequena cidade do interior. Fazer supermercado é um boa pedida. Se, por um acaso, na frente do supermercado houver um cemitério, entre e conheça-o. Procurar lápides de suicidas ou de pessoas que morreram no mesmo dia do aniversário pode se mostrar um bom passatempo enquanto se espera para sua aguardada e desesperadamente desejada volta ao monóxido de carbono. Mas evite passar pela seção das crianças. Efeitos colaterais e mentais podem ser causados.
* * * * * *
Cadaumnoseuquadrado
Cadaumna suabolha
Cadaum na suavida
Cada um na sua...
1 - Sorriso, disfarça. "Ah, tudo bem. Depois a gente ri da situação".
2 - Aperta os lábios (a là O Diabo Veste Prada). Faz cara de quem não gostou. Ensaia um olhar assassino. A voz sobe.
3 - A conversa vira gritaria (e ai do ser que falar para não levantar a voz). Os olhos começam a faiscar. O olhar de assassino não é mais um teatro.
4 - Os palavrões começam a sair sem controle. Quem está por perto começa a olhar. O olhar homicida começa a surtir efeito em algumas pessoas. Os olhos começam a marejar. Uma dose de gin já se faz necessária.
5 - Os palavrões e xingamentos são destinados a qualquer ser que faça sombra, num raio de quinhentos metros, sem distinções. Coisas quebram. Machucados leves. As lágrimas já escorrem. No mínimo 3 doses de gin e um rivotril se fazem necessários.
Ainda bem que ainda não chegamos à sexta marcha.
* * * * * *
They tried to make me go to the squad, and I said, "No, no, no"
Yes, I've been in bed, but when I go awake you'll know, know, know
I ain't got the time and if the jerks think I'm fine
They tried to make me go to the yard, and I said, "No, no, no"
I said: "Caralho! Vão se fuder seu bando de putos de merda!"
* * * * * *
É incrível como que, no meio de 10 mil pessoas, a gente ache justamente aquela pessoa que nós nunca mais queríamos ver na vida, enquanto que, quem procuramos desesperadamente, só aparece em nossos devaneios. Daí fingimos que não vemos até quando der, e quando um "olá" for inevitável, nós abrimos um sorriso amarelo e esbanjamos cinismo.
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A mesma situação acima, mas trocando os pontos de vista.
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VIZINHO: Oi vizinha. Tudo bem?
VIZINHA: Olá vizinho! Tudo! Quer um gole?
VIZINHO: Que é isso? Parece perfume.
VIZINHA: É gin. É perfumado assim mesmo. É a pior bebida para a fígado.
VIZINHA entorna a garrafa de gin na boca, sorvendo generosos goles, enquanto VIZINHO faz uma cara mostrando um misto de susto e admiração.
VIZINHA: Mas não se preocupe. Fígado se regenera.
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Fazia tanto tempo que eu não me sentia relaxada daquela maneira. Depois de quase duas semanas dormindo apenas duas horas por dia, eu estava conseguindo acordar da minha terceira hora de sono daquele dia. Um luxo.
Mas não era isso que me deixava feliz daquela maneira... era um som, o som de alguém tocando suavemente um violão, cantando baixinho alguma canção. Eu podia ficar ali eternamente, enquanto a lembrança de um outro violão, de uma outra voz, passava pela minha cabeça... e no fundo dos olhos eu ainda podia enxergar a figura amada do menino-homem.
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Agora eu sei: o próximo será fatal. Não vou agüentar um quarto. Me sinto fraca. Sinto o peito pesado, falta de ar, falta de fôlego, falta de vontade de continuar, de tentar. E não me venham com pneumologistas e seus diagnósticos frios. Prefiro morrer em paz.
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A grama (e a cerveja, a festa, a música, a galera, a comida, a vibe) do alojas vizinho é sempre mais verde.
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O que eu mais quero nesse momento? Desconstruir uma pessoa.
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Ele desconstruiu a amizade. Como se fosse a coisa mais fácil desse mundo. Precisou menos de 5 minutos. Fácil. Rápido. Indolor. Apenas não sabia que não era indolor apenas para ele.
* * * * * *
Constatação interessante: em certos habitats, uma camiseta dos Beatles chama mais atenção do que um decote. Mas não quase tanto quanto um chapéu.
* * * * * *
Dicas de programação para domingo a tarde:
Vagueie a esmo por uma pequena cidade do interior. Fazer supermercado é um boa pedida. Se, por um acaso, na frente do supermercado houver um cemitério, entre e conheça-o. Procurar lápides de suicidas ou de pessoas que morreram no mesmo dia do aniversário pode se mostrar um bom passatempo enquanto se espera para sua aguardada e desesperadamente desejada volta ao monóxido de carbono. Mas evite passar pela seção das crianças. Efeitos colaterais e mentais podem ser causados.
* * * * * *
Cadaumnoseuquadrado
Cadaumna suabolha
Cadaum na suavida
Cada um na sua...
Versos:
ficções,
frustrações,
intimices,
random thoughts
sábado, 17 de maio de 2008
Me pinta de Acaju-Chocolate 49 que eu estou branca!
Foi horrível. Uma das piores experiências do mundo.
Me olho no espelho, com a cara recém lavada, sem maquiagem, sem nada. Apenas as olheiras profundas que já se tornaram uma marca registrada, as marcas de expressão na testa, os poros dilatados, os cravos e espinhas. Tudo bem. Tudo como sempre foi. Até que que uma olhada de relance me assusta. Just a glimpse, just that... Olho de novo. Continua lá. Brilhando. Timidamente, meio fosco, mas lá.
Uma coisa... BRANCA!
Solto um gritinho de horror ao constatar o que eu queria que fosse apenas reflexo da luz do banheiro: UM FIO DE CABELO BRANCO! Como pode? Tenho apenas 20 anos! E lembro que já existe anti-rugas para os sobreviventes de vinte verões com pouco protetor solar.
Arranco aquilo da minha cabeça o mais rápido possível, como se fosse uma erva daninha que pudesse se espalhar pelo meu escasso couro cabeludo. Está lá, a prova: um fio fino e liso, de mais ou menos 5 centímetros, dos quais três são de um vermelho-achocolatado e o outros dois de um branco pálido, puxando um pouco para a cinza.
É stress, eu penso. Deve ser a SiEM, as duas faculdades, a mudança da casa, a vida nômade...
É o stress, fala minha mãe, meio descrente. É essa SiEM.
Será que eu fico bem grisalha?
Me olho no espelho, com a cara recém lavada, sem maquiagem, sem nada. Apenas as olheiras profundas que já se tornaram uma marca registrada, as marcas de expressão na testa, os poros dilatados, os cravos e espinhas. Tudo bem. Tudo como sempre foi. Até que que uma olhada de relance me assusta. Just a glimpse, just that... Olho de novo. Continua lá. Brilhando. Timidamente, meio fosco, mas lá.
Uma coisa... BRANCA!
Solto um gritinho de horror ao constatar o que eu queria que fosse apenas reflexo da luz do banheiro: UM FIO DE CABELO BRANCO! Como pode? Tenho apenas 20 anos! E lembro que já existe anti-rugas para os sobreviventes de vinte verões com pouco protetor solar.
Arranco aquilo da minha cabeça o mais rápido possível, como se fosse uma erva daninha que pudesse se espalhar pelo meu escasso couro cabeludo. Está lá, a prova: um fio fino e liso, de mais ou menos 5 centímetros, dos quais três são de um vermelho-achocolatado e o outros dois de um branco pálido, puxando um pouco para a cinza.
É stress, eu penso. Deve ser a SiEM, as duas faculdades, a mudança da casa, a vida nômade...
É o stress, fala minha mãe, meio descrente. É essa SiEM.
Será que eu fico bem grisalha?
Versos:
Clark Gable,
falsos inícios,
frustrações
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Minhas quartas-feiras...
Ando reclamando da minha falta de tempo para escrever por aqui. Agora são exatamente 20h00, 14/05/2008. E acabo de descobrir uma coisa: tenho um vácuo - obrigatório - de atividade entre 18h50 e 21h25 nas quartas-feiras.
No momento escrevo do laboratório 08 no subsolo da minha amada Pontifícia. Aula de Introdução ao Jornalismo. A coisa mais chata e massante da face da terra - incluindo os almoços de família de domingo. O professor repete toda hora a mesma coisa - no momento, uma explicação sobre lide, título e linha fina - ZzZzZzZzZ. Qualquer idiota que lê jornal todo dia tem noção disso... ok, tem uns cabeções na Folha e no Estadão que ainda não aprenderam isso...
Para passar o tempo leio e-mails, abro sites de fofocas e notícias, recorro ao Google Talk. Sttil, sooooooooooo fuckin´ boring. (like this shity post). Chamo essa aula de aula-da-fofoca (e agora, para procurar algo interessante para escrever no blog). O nome que dou pra minha próxima aula também é muito explicativo: bar (ou Novas Tecnologias da Comunicação). Estou tentando virar uma verdadeira jornalista: pobre, poeta, fudida e boêmia.
Credo parece que essa aula suga a minha criatividade... Cadê minha faquinha de plástico?
Para ouvir lendo - ou ler ouvindo: Expectations de Belle & Sebastian.
No momento escrevo do laboratório 08 no subsolo da minha amada Pontifícia. Aula de Introdução ao Jornalismo. A coisa mais chata e massante da face da terra - incluindo os almoços de família de domingo. O professor repete toda hora a mesma coisa - no momento, uma explicação sobre lide, título e linha fina - ZzZzZzZzZ. Qualquer idiota que lê jornal todo dia tem noção disso... ok, tem uns cabeções na Folha e no Estadão que ainda não aprenderam isso...
Para passar o tempo leio e-mails, abro sites de fofocas e notícias, recorro ao Google Talk. Sttil, sooooooooooo fuckin´ boring. (like this shity post). Chamo essa aula de aula-da-fofoca (e agora, para procurar algo interessante para escrever no blog). O nome que dou pra minha próxima aula também é muito explicativo: bar (ou Novas Tecnologias da Comunicação). Estou tentando virar uma verdadeira jornalista: pobre, poeta, fudida e boêmia.
Credo parece que essa aula suga a minha criatividade... Cadê minha faquinha de plástico?
Para ouvir lendo - ou ler ouvindo: Expectations de Belle & Sebastian.
Versos:
ficções,
frustrações,
Jornalismo,
random thoughts
segunda-feira, 14 de abril de 2008
sábado, 5 de abril de 2008
Suspiro...
Sem tempo...
Sem dores,
Sem amores,
Sem sorrisos
- nem risos -;
Sem bebidas,
Sem batidas,
Sem sal
- e muito menos pimenta! -;
Sem novidades,
Sem saudades,
Sem sofrimentos
- também sem desejos -;
Sem espasmos,
Sem retratos,
Sem pitacos
- ou mesmo estilhaços -;
Sem nada,
Sem ninguém,
Sem eu,
Sem mim... meu? minha?
Sem... cem?
Retirado do Livro das (des)Ilusões às 05042008
Sem dores,
Sem amores,
Sem sorrisos
- nem risos -;
Sem bebidas,
Sem batidas,
Sem sal
- e muito menos pimenta! -;
Sem novidades,
Sem saudades,
Sem sofrimentos
- também sem desejos -;
Sem espasmos,
Sem retratos,
Sem pitacos
- ou mesmo estilhaços -;
Sem nada,
Sem ninguém,
Sem eu,
Sem mim... meu? minha?
Sem... cem?
Retirado do Livro das (des)Ilusões às 05042008
terça-feira, 4 de março de 2008
Piquenique no céu
Já é a quarta vez que eu começo a escrever... não consigo. Não tenho palavras. Tudo parece tão pequeno e insignificante. Mas não quero algo grandioso e pomposo, não combinaria com o momento, com a pessoa, com os sentimentos.
Eu descobri que amo demais certas pessoas. E meu maior pecado é não dizer o quanto as amo quando eu tenho chance... Já perdi uma chance. Essa, eu nunca mais terei. Talvez, dependendo de crenças e de verdades, ela saiba, ou talvez não. Eu prefiro acreditar que sim. Que entenda essa homenagem, ainda que seja um ridículo clichê.
Mas, homenagem maior, fez ela: abriu meus olhos, meu coração. Essa semana fiz alguns telefonemas, mandei algumas mensagens. Pessoas que estão longe, pessoas distanciadas pelo tempo. Eu precisava falar para elas. Falar o quanto foram importantes para mim, o quanto as amo, mesmo que com um olhar, um sorriso ou um eco mudo do outro lado da linha. Sei que não vou conseguir falar com todos, sei que alguns nem darão importância quando eu falar. Não me importa. Não posso mais esperar pelos momentos certos...
Não consigo muito falar sobre isso, quanto mais escrever... talvez uma ajuda dos Beatles...
There are places I remember
All my life though some have changed
Some forever not for better
Some have gone and some remain
All these places have their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I've loved them all
But of all these friends and lovers
There is no one compared with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new
Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I love you more
Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I love you more
In my life I love you more...
I love you all...
Eu descobri que amo demais certas pessoas. E meu maior pecado é não dizer o quanto as amo quando eu tenho chance... Já perdi uma chance. Essa, eu nunca mais terei. Talvez, dependendo de crenças e de verdades, ela saiba, ou talvez não. Eu prefiro acreditar que sim. Que entenda essa homenagem, ainda que seja um ridículo clichê.
Mas, homenagem maior, fez ela: abriu meus olhos, meu coração. Essa semana fiz alguns telefonemas, mandei algumas mensagens. Pessoas que estão longe, pessoas distanciadas pelo tempo. Eu precisava falar para elas. Falar o quanto foram importantes para mim, o quanto as amo, mesmo que com um olhar, um sorriso ou um eco mudo do outro lado da linha. Sei que não vou conseguir falar com todos, sei que alguns nem darão importância quando eu falar. Não me importa. Não posso mais esperar pelos momentos certos...
Não consigo muito falar sobre isso, quanto mais escrever... talvez uma ajuda dos Beatles...
There are places I remember
All my life though some have changed
Some forever not for better
Some have gone and some remain
All these places have their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I've loved them all
But of all these friends and lovers
There is no one compared with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new
Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I love you more
Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I love you more
In my life I love you more...
I love you all...
Versos:
amores perdidos,
concha,
intimices
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Águas de Março
1:18 am, sábado-domingo, 24 fevereiro de 2008.
Isso nunca tinha ocorrido antes. Dirigir a 40 km/h e não furar nenhum sinal vermelho depois das 22h simplesmente não era de seu feitio. Algo estava errado. Não sabia o quê. Uma sensação ruim dentro do peito, como uma premonição de uma maldição, vinha de si. Chorava e tremia feito uma criança com medo de uma tempestade. Mas não sabia por quê.
Imagens não paravam de surgir no fundo de seus olhos, algumas familiares, outras recentes e várias desconhecidas. Todas distorcidas, embaçadas, embaralhadas, misturadas, desconexas. Carros, vozes, acordes, sinetas, olhares... e tudo a deixava menor e mais assustada. Como podia disfarçar? Não podia. Então era mais fácil culpar o medo comum e ordinário dos paulistanos.
Tudo era cada vez mais caótico e aterrorizante. Sua cabeça girava e seu corpo parecia prestes a desabar. Ninguém para ampará-la, e também não seria ela que pediria que alguém o fizesse. Sua espontaneidade havia se dissipado assim como qualquer força que tinha para pedir socorro. Será que ninguém conseguia entender o que se passava? Não. Nem ela conseguia. Mas iria enfrentar aquilo sozinha. Já o tinha feito antes, por que não conseguiria agora? O porquê, não sabia, mas ficou claro que só não ia conseguir. Precisava de alguma muleta, algum apoio, qualquer apoio. Precisava de um abraço. Mas ela nunca pediu um abraço. E assim seria até a sua morte. Nunca ela iria mostrar sua maior fraqueza. Um apoio estava bom.
Mas não era o suficiente. Agüentou até quando pôde. Mas antecipou as águas de março. E por isso, nunca se odiou tanto quanto naquele momento. Era íntimo e pessoal demais para ser visto, Queria algo, mas não queria a pena deles nem de ninguém. A vergonha somou-se ao restante da bola de neve já em movimento. Estava prestes a explodir.
Falar. Era disso que ela precisava. Qualquer coisa, qualquer besteira, qualquer merda. Precisava a todo custo manter a mente ocupada. Era necessário enterrar o que queria extrapolar de dentro dela.
Anjos. Nunca acreditou nesses seres alados e assexuados. Mas algumas pessoas escondem partes deles. Ninguém é um anjo em sua totalidade, e de certa maneira ela dava graças por aqueles não serem. Mas eles a ajudaram de uma forma que talvez nunca venham a saber. E talvez seja melhor dessa maneira. É incrível como certas pessoas têm o dom de abrir nossos olhos para o que possa chegar a ser o mais próximo da verdade e outras tenham o dom de nos acalmar com apenas um suspiro. (Há ainda, é claro, os piadistas das horas erradas, mas esses são raros, e quando se acha um, tente fazer com que ele te peça em casamento o mais rápido possível).
Algo continua errado com ela. E ela sabe. Mas o que mais a desespera, é saber que não pode fazer nada contra isso. Sabe que nunca vai entregar os pontos e pedir o que realmente deseja. Ser orgulhosa é um merda.
2:17 am
Isso nunca tinha ocorrido antes. Dirigir a 40 km/h e não furar nenhum sinal vermelho depois das 22h simplesmente não era de seu feitio. Algo estava errado. Não sabia o quê. Uma sensação ruim dentro do peito, como uma premonição de uma maldição, vinha de si. Chorava e tremia feito uma criança com medo de uma tempestade. Mas não sabia por quê.
Imagens não paravam de surgir no fundo de seus olhos, algumas familiares, outras recentes e várias desconhecidas. Todas distorcidas, embaçadas, embaralhadas, misturadas, desconexas. Carros, vozes, acordes, sinetas, olhares... e tudo a deixava menor e mais assustada. Como podia disfarçar? Não podia. Então era mais fácil culpar o medo comum e ordinário dos paulistanos.
Tudo era cada vez mais caótico e aterrorizante. Sua cabeça girava e seu corpo parecia prestes a desabar. Ninguém para ampará-la, e também não seria ela que pediria que alguém o fizesse. Sua espontaneidade havia se dissipado assim como qualquer força que tinha para pedir socorro. Será que ninguém conseguia entender o que se passava? Não. Nem ela conseguia. Mas iria enfrentar aquilo sozinha. Já o tinha feito antes, por que não conseguiria agora? O porquê, não sabia, mas ficou claro que só não ia conseguir. Precisava de alguma muleta, algum apoio, qualquer apoio. Precisava de um abraço. Mas ela nunca pediu um abraço. E assim seria até a sua morte. Nunca ela iria mostrar sua maior fraqueza. Um apoio estava bom.
Mas não era o suficiente. Agüentou até quando pôde. Mas antecipou as águas de março. E por isso, nunca se odiou tanto quanto naquele momento. Era íntimo e pessoal demais para ser visto, Queria algo, mas não queria a pena deles nem de ninguém. A vergonha somou-se ao restante da bola de neve já em movimento. Estava prestes a explodir.
Falar. Era disso que ela precisava. Qualquer coisa, qualquer besteira, qualquer merda. Precisava a todo custo manter a mente ocupada. Era necessário enterrar o que queria extrapolar de dentro dela.
Anjos. Nunca acreditou nesses seres alados e assexuados. Mas algumas pessoas escondem partes deles. Ninguém é um anjo em sua totalidade, e de certa maneira ela dava graças por aqueles não serem. Mas eles a ajudaram de uma forma que talvez nunca venham a saber. E talvez seja melhor dessa maneira. É incrível como certas pessoas têm o dom de abrir nossos olhos para o que possa chegar a ser o mais próximo da verdade e outras tenham o dom de nos acalmar com apenas um suspiro. (Há ainda, é claro, os piadistas das horas erradas, mas esses são raros, e quando se acha um, tente fazer com que ele te peça em casamento o mais rápido possível).
Algo continua errado com ela. E ela sabe. Mas o que mais a desespera, é saber que não pode fazer nada contra isso. Sabe que nunca vai entregar os pontos e pedir o que realmente deseja. Ser orgulhosa é um merda.
2:17 am
Versos:
concha,
ficções,
frustrações,
intimices
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Nota de Rodapé
Ok.
Pelo tamanho de sua importância não era para ser uma nota de rodapé. Mas pelo tamanho do meu tempo é.
Assistimos hoje ao nascimento de um novo Estado. Independente, reconhecido pelas maiores potências mundiais e destruído por uma guerra que dura séculos - intercalada por breves pausas.
Mas talvez o mais fantástico não seja o nascimento em si desse novo paiseco. Mas sim como ele foi mostrado: ao vivo e a cores para todo o mundo. A mídia sempre teve um papel especial nos conflitos da novela balcânica. E não poderia ser diferente em mais um de seus capítulos.
Para quem se interessar mais pela mídia e seu envolvimento em Kosovo:
- "A Estratágia da Decepção" de Paul Virílio
- "Guerra Virtual" de Michael Ignatieff
São dois livros bem simples e que não se aprofundam muito no tema, mas bem interessantes para se ter um panorama geral.
Mais follow-ups sobre o novo status quando minha conexão de internet voltar.
Cao!
Pelo tamanho de sua importância não era para ser uma nota de rodapé. Mas pelo tamanho do meu tempo é.
Assistimos hoje ao nascimento de um novo Estado. Independente, reconhecido pelas maiores potências mundiais e destruído por uma guerra que dura séculos - intercalada por breves pausas.
Mas talvez o mais fantástico não seja o nascimento em si desse novo paiseco. Mas sim como ele foi mostrado: ao vivo e a cores para todo o mundo. A mídia sempre teve um papel especial nos conflitos da novela balcânica. E não poderia ser diferente em mais um de seus capítulos.
Para quem se interessar mais pela mídia e seu envolvimento em Kosovo:
- "A Estratágia da Decepção" de Paul Virílio
- "Guerra Virtual" de Michael Ignatieff
São dois livros bem simples e que não se aprofundam muito no tema, mas bem interessantes para se ter um panorama geral.
Mais follow-ups sobre o novo status quando minha conexão de internet voltar.
Cao!
Versos:
amores perdidos,
Balcãs,
falsos inícios,
frustrações,
Jornalismo,
RI
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Noir
O amôr morreu.
Perdeu sua essência.
Tornou-se apenas amor.
Retirado do Livro das (des)Ilusões às 14022008.
Perdeu sua essência.
Tornou-se apenas amor.
Retirado do Livro das (des)Ilusões às 14022008.
Versos:
amores perdidos,
Clark Gable,
intimices,
Ld(d)I,
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Independência e Protetor Solar
Sim!!! Consegui: alcancei o estágio último da independência humana! Não preciso mais de ninguém! Sou dona de mim mesma, por completo, por inteira. Domino cada centímetro de minha existência. Posso viver sozinha numa ilha deserta, longe de tudo e de todos. Eu, um canivete e um protetor solar.
Poucas coisas me deram maior sensação de liberdade e poder do que conseguir passar protetor solar nas minhas costas sem a ajuda de ninguém. Nada mais de pedidos embaraçosos, mãos ásperas nas minhas costas, pessoas desleixadas. Não! Basta! Não preciso de mais ninguém! (E bendita seja, mais uma vez, a hiperfrouxidãoligamentar!)
Mas...
... do que adianta conseguir passar protetor solar nas próprias costas quando se é alérgica ao sol?
Retirado do Livro das (des)Ilusões às 02012008.
Poucas coisas me deram maior sensação de liberdade e poder do que conseguir passar protetor solar nas minhas costas sem a ajuda de ninguém. Nada mais de pedidos embaraçosos, mãos ásperas nas minhas costas, pessoas desleixadas. Não! Basta! Não preciso de mais ninguém! (E bendita seja, mais uma vez, a hiperfrouxidãoligamentar!)
Mas...
... do que adianta conseguir passar protetor solar nas próprias costas quando se é alérgica ao sol?
Retirado do Livro das (des)Ilusões às 02012008.
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